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Neto de Teixeira Lopes decisivo na recuperação dos Bonecos de Estremoz

11 de abril de 2024

Sá Lemos escreveu um pequeno, mas significativo artigo eivado de ternura e admiração pelo seu avô Teixeira Lopes (Pai), que constitui um testemunho essencial de alguém que privou com este e presenciou o seu labor.

José Joaquim Teixeira Lopes (1837-1918), também conhecido como Teixeira Lopes (Pai), dedicou-se desde muito cedo à criação de miniaturas em barro cozido, representando costumes populares que constituíram uma pequena mas significativa área dentre as diversas que a sua multifacetada produção artística abrangeu.

A proliferação de figurinhas e grupos atingiu a dimensão das dezenas e, apostando numa qualidade esculturo/pictórica elevada, conseguiu defrontar e vencer a vasta concorrência que invadia um mercado sôfrego de figuras, mas com limitadas apetências artísticas.

A sua fonte de inspiração principal foi a observação que fez dos costumes, trajes, profissões, personagens típicas, humorísticas ou que desenvolvem atividades lúdicas, de várias regiões do país num quase mapeamento da alma do povo português.

Dirigindo-se ao avô, Sá Lemos escreveu: “Tu, que conhecias até ao ámago os teus modêlos, reproduzia-los conversando com eles, mesmo ausentes, por que os tinhas dentro de ti, no coração: olha aquele “Aguadeiro”, Tanagra popular da saudosa R. do Laranjal, o que te levava a água todos os dias e contigo conversava, aquele que tu curaste de uma grande gripe com uma aplicação de ortigas”.

Fontes documentais:

Sá Lemos, José Maria de – “O Avô, alma de artista – Teixeira Lopes (Pai)” in Boletim Cultural de Gaia, nº 2, Novembro de 1966

Universidade Digital / Gestão de Documentação e Informação, 2017

Créditos de Imagem: José Maria Sá Lemos com Ti Ana das Peles na Escola Industrial António Augusto Gonçalves, 1935(?). In: Guerreiro, Hugo. 2018. Figurado de Estremoz. Produção património imaterial da humanidade. Estremoz/Porto. Edições Afrontamento.pp.30