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Inauguração da Exposição 'Face a Face' de Rita Magalhães no MNSR

22 de janeiro de 2026

Por outro lado, a exposição inscreve-se numa continuidade de projetos expositivos realizados a nível nacional e internacional que visam recuperar a natureza-morta como um género artístico autónomo. Ao longo do tempo, diversos autores contemporâneos têm recorrido a este tema em momentos específicos dos seus percursos - de David Hockney a Damien Hirst - contribuindo para a sua legitimação e reforçando a sua relevância no contexto da prática artística contemporânea.

Nas palavras de António Ponte, Diretor do MNSR, “o trabalho de Rita Magalhães convida-nos a olhar para os objetos do quotidiano com renovada atenção, a ponderar o significado da imagem e a apreciar a riqueza dos diálogos artísticos que atravessam séculos. Entre tradição e inovação, a natureza-morta continua viva, reinventando-se em novas linguagens e sensibilidades”.

Outro dos principais méritos desta exposição foi ter possibilitado a intervenção de restauro de várias das pinturas que agora se apresentam publicamente, devolvendo-lhes a visibilidade de que foram privadas pela longa permanência em reserva.

“Não sendo destinados à exibição imediata,
[os bens culturais em reserva]
tendem a ser preteridos também nas prioridades de restauro. A degradação do estado de conservação contribui para o fecho das obras sobre si próprias. No caso concreto da pintura a óleo, suportes e pigmentos degradados e vernizes envelhecidos dificultam a leitura, ocultando dados decisivos como caraterísticas de pincelada, assinaturas, marcas de fabrico, datas e outras inscrições. Na vida dos objetos instala-se então um ciclo de crise silencioso que os submerge na invisibilidade e os priva da formação de significados. Quanto mais se aprofunda a perda de significado, mais improvável se torna o resgate”, sublinham as curadoras da Coleção de Pintura do MNSR, Ana Paula Machado e Ana Nascimento.

Realizadas as intervenções de conservação e restauro, foi possível trazer à luz do conhecimento uma série de informações e pormenores que ajudam a documentar o histórico das pinturas, os seus autores, técnicas e materiais.

Das 28 obras do MNSR selecionadas para esta exposição, 15 foram agora objeto de intervenção de restauro, o que, para além de permitir a leitura das obras na sua plenitude, revelou, nalguns casos, assinaturas e marcas há muito “perdidas”. Dado o volume de obras e a complexidade de algumas intervenções, os trabalhos foram repartidos pelas equipas de restauro do Laboratório José de Figueiredo e da Divisão de Museus da Câmara Municipal do Porto. Graças ao apoio do Círculo Dr. José de Figueiredo – Amigos do Museu Nacional Soares dos Reis, foi ainda possível reforçar esta campanha com recurso aos serviços de uma conservadora-restauradora externa.

Sobre Rita Magalhães

Nasceu em Luanda, Angola, em 1974. Vive e trabalha entre o Porto e a Bairrada. Frequentou o curso de Pintura na Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto. O seu percurso artístico, iniciado em 1999, orientou-se desde cedo para o campo da fotografia, onde tem desenvolvido uma investigação consistente, centrada na aproximação deste medium à pintura.

Atualmente, encontra-se representada pela Galeria Pedro Oliveira, no Porto, e pela Galeria das Salgadeiras, em Lisboa. O seu trabalho tem suscitado relevante atenção por parte de vários autores, críticos e curadores, entre os quais Francisco Laranjo, Óscar Faria, David Barro, Bernardo Pinto de Almeida e Marc Lenot, entre outros.

Rita Magalhães está representada em várias coleções privadas e institucionais, em Portugal e no estrangeiro. Em 2023, foi responsável pela ilustração fotográfica do livro Lojas de Outrora e de Agora, com textos de Isabel Lopes Gomes.
Legenda da imagem

Flores
Henrique Pousão (1859–1884), 1877
Óleo sobre tela
Academia Portuense de Belas Artes
95 Pin MNSR