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Exposição «A faiança azul de safra da Fábrica de Miragaia»

13 de março de 2024

A organização museológica da exposição promove a relação desta coleção com outras coleções de artes decorativas do Museu Nacional Soares dos Reis, anteriores ao moderno conceito de design, valorizando a sua contextualização e interpretação com aproximações à história e às artes plásticas europeias, nomeadamente Pintura, Desenho e Gravura.

A exposição e respetivo roteiro pretendem reforçar a visibilidade e o conhecimento da coleção de cerâmica do Museu Nacional Soares dos Reis, um dos mais importantes acervos cerâmicos à guarda dos museus nacionais portugueses, estabelecendo a relação das influências da cultura inglesa na produção da Fábrica de Miragaia.

António Ponte, Diretor do Museu Nacional Soares dos Reis, salienta que a presente exposição permite “o estabelecimento de um diálogo, programático e museográfico, entre as faianças azul de safra com outros objetos coevos da coleção do Museu Nacional Soares dos Reis, transmitindo-se a ideia de transversalidade nas artes decorativas e nas artes plásticas portuguesas desta época”, o que resulta de “uma vontade de pensar as coleções para além das suas fronteiras e de acordo com as aspirações e necessidades do visitante contemporâneo”.

No conjunto das diferentes proveniências, o acervo de cerâmica do Museu inclui, atualmente, cerca de 4.000 peças de distintas tipologias: azulejaria, cerâmica de autor, núcleos de faiança portuguesa e espanhola (séculos XVI a XX), de porcelana chinesa e japonesa (séculos XVI a XX), de porcelana europeia (séculos XIX e XX) e de faiança holandesa de Delft (séculos XVII e XVIII).

Breve história da Fábrica de Louça de Miragaia na cidade do Porto

No contexto das reformas da indústria portuguesa promovidas pelo ministro Marquês de Pombal, a Fábrica de Louça de Miragaia foi fundada por um comerciante minhoto enriquecido no Brasil, João Rocha (1720-1799), em Miragaia (Porto), em 1775. Teve como sócio fundador seu sobrinho João Bento da Rocha.

O objetivo dos empresários era “manufacturar toda a qualidade de peças da dita loiça á maneira da que vem de Paizes Estrangeiros”, especialmente da China e da Europa.

Em 1814, já depois dos prejuízos sofridos com as Invasões Francesas, a Fábrica de Louça de Miragaia era a maior da cidade do Porto no ramo da cerâmica, com 27 trabalhadores, entre os quais existiam numerosos laços familiares, facilitando a transmissão de saberes técnicos e artísticos.

No final da década de 1820, sob a concorrência de anos da loiça importada de Inglaterra, iniciou-se a produção de peças semelhantes em forma e/ou decoração às inglesas, que são apresentados alguns exemplares na Exposição «A faiança azul de safra da Fábrica de Miragaia». Na década de 1850, após problemas financeiros, a fábrica encerrou, completando cerca de 80 anos de atividade, mantendo-se até hoje como um símbolo da qualidade da faiança produzida entre o Porto e Gaia.

O Museu Nacional Soares dos Reis preserva uma coleção de cerca de 180 peças da Fábrica de Louça de Miragaia, resultante de diferentes incorporações.

Exposição «A faiança azul de safra da Fábrica de Miragaia» — Museu Nacional Soares dos Reis