10 de março de 2024

No contexto das invasões francesas, Domingos Sequeira estabeleceu amizades com oficiais do exército napoleónico, como o Conde de Forbin, oficial e pintor amador. Esta aproximação valeu-lhe a encomenda de uma representação alegórica da ação protetora do general Junot sobre Lisboa. O óleo sobre tela Junot protegendo a cidade de Lisboa, data de 1808 e integra o acervo do Museu Nacional Soares dos Reis (na imagem).
Graças a essa atividade, Sequeira foi visto como colaborador do inimigo ocupante e por isso alvo de perseguições e processos condenatórios de que só a muito custo se reabilitou.
Nesta composição estão representados três grupos de figuras nos primeiros planos, entre as quais se destaca Junot, em traje militar, voltado para uma mulher jovem que representa a cidade de Lisboa, amparada pela Religião e pelo Génio da Nação. À esquerda, os dois homens representam Marte que aniquila Neptuno, simbolizando, respetivamente, a França e a Inglaterra enquanto, no lado oposto, as duas mulheres simbolizam a abundância e a sabedoria, Ceres e Minerva.
Os últimos anos da sua vida são passados em Roma, onde se dedica sobretudo à pintura religiosa.
Para além das obras de Domingos Sequeira integradas na Exposição de Longa Duração, o Museu Nacional Soares dos Reis tem patente, até 28 abril, a exposição «Teresa Gonçalves Lobo e Domingos Sequeira – um diálogo no tempo».
Créditos de imagem
Capa: Desenho ‘Auto-retrato de Domingos António de Sequeira’ (o primeiro auto-retrato conhecido do artista) @Museu Nacional de Arte Antiga
