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135 anos da escultura ‘Ismael’ do gaiense Augusto Santo

9 de fevereiro de 2024

Em Paris, instalou-se na rua Denfert-Rochereau, onde residiam outros artistas portugueses como Teixeira Lopes, filho. Contactou com o artista parisiense Alexandre Falguière (1831-1900) e com vários compatriotas, entre os quais os escritores Eça de Queiroz (1845-1900) e António Nobre (1867-1900), os pintores Carlos Reis (1863-1940) e Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918) e o historiador e crítico de arte José de Figueiredo (1872-1937).

Em 1893, com o fim do apoio financeiro e a falta de resultados, Augusto Santo viu-se obrigado a regressar a Portugal. Começou, então, a trabalhar no seu ateliê em Coimbrões e a frequentar os cafés portuenses da Praça Nova, onde conheceu intelectuais como Pádua Correia e Manuel Laranjeira, que o descreveu como um rosto triste, de misantropo sonâmbulo na multidão.

Entre as poucas obras que sobreviveram à destruição destaca-se a escultura Ismael, prova de final de curso na APBA, datada de 1889. O original, em gesso, conserva-se no Museu Nacional Soares dos Reis, onde se encontra em exposição a obra fundida em bronze.

Sobre esta escultura, escreveu Romero Vila, sacerdote e investigador, em 1963:

Ismael, a estátua final do curso de Augusto Santo, tem a sua história prosaicamente triste como a poderia ter euforicamente alegre, porque saiu dum esforço interior e consagração humana. Comparam-na ao celebérrimo “Desterrado” de Soares dos Reis, pela imensa desolação e tortura psíquica que ambas as esculturas descrevem dos seus autores. Diogo de Macedo atreve-se a afirmar que são autobiografias de amargura amassadas no barro com o próprio sangue.

Augusto Santo morreu no Hospital de Santo António, no Porto, em 26 setembro de 1907, vítima de tuberculose.