1 de dezembro de 2023

Regressado de Paris, Heitor Cramez foi durante alguns anos professor do Ensino Técnico em Vila Real e, posteriormente, da Escola de Artes Decorativas Soares dos Reis, no Porto, ingressando em 1948 na Escola de Belas Artes desta cidade, como professor de Desenho, lugar que ocupou até ao jubileu em 1959.
Foi, aliás, neste âmbito que o contributo de Cramez para a evolução artística, sobretudo no que diz respeito ao meio portuense, se revelou mais valioso, porque pertenceu a uma geração de professores cuja atividade proporcionou a renovação do ensino académico, formando gerações de novos artistas em moldes mais modernos e com uma maior abertura a novas correntes e formas de expressão.
A obra de Heitor Cramez é variada, mas nela sobressaem os retratos, de cariz intimista, e as paisagens, onde predominam as serranias transmontanas, reflexo das suas raízes de que tanto se orgulhava. A estadia em Paris e o convívio com os artistas já citados não podiam deixar de influenciar a sua obra. Exigente e modesto em relação ao seu trabalho, Heitor Cramez participou em poucas exposições, confinando-se quase exclusivamente ao Porto.
A obra de Heitor Cramez encontra-se sobretudo em coleções particulares, quer em Portugal, quer em França, o que a torna pouca conhecida do grande público.
Morreu em Mira, Coimbra, em 30 de Agosto de 1967.
