24 de abril de 2026

A reforma teve impactos estruturais: reorganizou o ensino nas Escolas de Belas-Artes de Lisboa e do Porto, redefiniu a tutela das instituições culturais e colocou os museus sob a dependência desses novos conselhos, numa lógica de gestão articulada do património. Este decreto é hoje reconhecido como um marco fundador da política patrimonial da Primeira República.
É neste enquadramento que o museu do Porto assume a designação de Museu Soares dos Reis, homenageando António Soares dos Reis (1847–1889), figura maior da escultura portuguesa do século XIX. Autor de obras emblemáticas como O Desterrado, Soares dos Reis destacou-se pela intensidade expressiva e pelo humanismo da sua obra, tendo sido também professor na Academia Portuense. A sua ligação à cidade e à instituição justificou plenamente a consagração do seu nome no museu.
Assinalar os 115 anos desta mudança é, assim, reconhecer não apenas um ato administrativo, mas um momento simbólico em que o museu se afirma como espaço de memória, identidade e valorização artística. Ao adotar o nome de Soares dos Reis, a instituição reforçou a sua missão de preservar, estudar e divulgar a arte portuguesa, mantendo viva a herança de um dos seus mais notáveis criadores.
Hoje, o Museu Nacional Soares dos Reis continua a desempenhar um papel central na vida cultural do país, testemunhando a relevância duradoura das reformas de 1911 e a atualidade do legado de Soares dos Reis.
