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110º Aniversário de Nascimento de João Navarro Hogan

4 de fevereiro de 2024

Elegendo a paisagem como tema por excelência, interpreta-a exaustiva e obsessivamente durante cinco décadas: “A minha paisagem nasce dentro e debaixo da terra. O céu nunca me interessou, e às vezes até o corto” (João Hogan, 1985). Logo nos anos 30 colheu ensinamentos nos naturalistas portugueses da 1ª geração e na pintura construída de Cézanne.

Pintando ao ar livre nos arredores de Lisboa e mais tarde na Beira Baixa, cedo criou um estilo próprio, marcando um percurso isolado no panorama artístico nacional. De formas sólidas e rigorosas, construídas na busca da síntese, as suas paisagens inconfundíveis mostram um profundo interesse pela vastidão e rudeza da terra. Representando lugares inabitados, imanam um silêncio cheio de significações, enfatizado pela ausência da figura humana.

Em 1957, começou a trabalhar em gravura, sobre a influência de William Hayter, de quem foi aluno. Se as primeiras gravuras, realizadas em madeira, têm ainda um cunho realista, as gravuras em cobre – incluindo o acaso proporcionado pelo ácido e influências do surrealismo – atingem um enorme grau de irrealidade, fantasia e mesmo humor. Dedicando-se até 1975 a esta técnica, criou uma obra extremamente lírica, de enorme diversidade, verdadeiramente autónoma da obra de pintor.

Sócio fundador da Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses em 1957, aí dirigiu mais tarde cursos de gravura. Realizou a partir de 1960 ilustrações para livros.

Escolhido em 1971 para realizar um dos quadros que decoram o café A Brasileira, no Chiado, em Lisboa, formou em 1976 o grupo 5 + 1, que expôs nesse ano em Lisboa e em Viena, com os pintores Teresa Magalhães, Júlio Pereira, Sérgio Pombo, Guilherme Parente e o escultor Virgílio Domingues.

Imagem Texto: Óleo sobre tela Alto dos sete moinhos (1954) de João Hogan @Museu Nacional Soares dos Reis

Imagem Capa: Óleo sobre tela Autorretrato (1959) de João Hogan @Centro de Arte Moderna de Lisboa